sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Opinião: "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles"

Título: Battle Los Angeles (Invasão Mundial: Batalha de Los Angeles)
Lançamento: 2011 (USA)
Actores: Aaron Eckhart, Michelle Rodriguez e Bridget Moynahan...
Direcção: Jonathan Liebesman
Gênero: Acção/Sci-Fi
Duração: 116 min.

     Essência Pura: 6/10

     Sinopse: Durante anos, têm sido documentados vários casos de OVNI’s a pairar nos céus – Buenos Aires, Seoul, França, Alemanha, China. Mas em 2011, surge uma aterradora realidade, quando a Terra é mesmo invadida por forças desconhecidas. A população de todo o Mundo observa a queda das grandes cidades, e Los Angeles torna-se a última esperança para a Humanidade. Cabe ao Marine Michael Nantz e ao seu novo pelotão lutar contra esta catástrofe, enfrentando um inimigo como nunca tinham visto.

     Opinião: Onde é que já vi isto antes? Não sei o que deu aos realizadores, mas neste momento parece que a luta entre os humanos e os extraterrestres é tema para muitos filmes. A ideia tem sempre a mesma base, os clichés são praticamente semelhantes e as atitudes as mesmas. O que poderá diferenciar um de outro filme é a qualidade da performance dos actores, assim como efeitos especiais e a "fuga" aos clichés. 

    Desde a estreia do filme que nunca tive muito interesse em vê-lo, logo, as expectativas não eram minimamente altas e a oportunidade de ser surpreendida muito maior já que não esperava nada de especial do mesmo. Contudo, como era de esperar ainda me conseguiu cativar em certas partes mas continuo a achar que conseguia estar sempre um passo à frente do que ia acontecer quando estava a visualizar o filme. Um helicóptero que explode quando os passageiros pensam estar salvos, não vimos já isto em muitos filmes de guerra? O grande patriotismo? Todos morrerem mas por um forte milagre um grupo consegue salvar-se e salvar o dia? Enfim, clichés já muito vistos e que fazem este filme ser só mais um filme que se dedica a uma guerra já muito debatida na actualidade. Originalidade meus caros, por favor! Se querem este tema tentem explorar uma nova vertente, não tenham medo de arriscar. 

     Posso focar, talvez, o actor Aaron Eckhart pela sua performance, no entanto, não o culpo minimamente pela sua personagem ter tendências totalmente suicidas, mas lá conseguiu salvar o Mundo com a ajuda do seu novo pelotão, algo que ainda me custa a acreditar que tenha acontecido. Aqueles extraterrestres para tão desenvolvidos que eram tinham pouca pontaria e a artilharia parecia só funcionar a 100% quando queriam tirar alguma personagem da história.

     Gostei bastante da parte em que um dos civis que estava quase a morrer por ter tido um acto heroico, algo que não falta neste filme, ter contado o quão inocente fora o seu filho perante a chegada dos extraterrestres com a teoria que talvez eles apenas quisessem ser nossos amigos. Esta inocência tão pura agradou-me de todo num filme em que tentam mostrar heroísmo a mais. 

     Pontos Baixos: Os protagonistas terem logo mencionado no inicio que iam lutar para salvar o país deles, quando o Mundo está todo em guerra, acho na minha opinião que foi um grande lapso pois deveriam ter dito algo como " Vamos lá expulsar estes cabrões da nossa terra/planeta/mundo...". O heroísmo e o patriotismo em demasiado foco, uma coisa é ser corajoso outra é parecer que os protagonistas até conseguiam quase ter super poderes para escaparem a tudo. E para terminar o tema já muito desgastado com vários clichés.

     Pontos Altos: A inocência da criança, magnífico momento. As imagens e os efeitos especiais até estavam bastante interessantes, o que valoriza bastante um filme sci-fi. E tenho de admitir para variar gostei de ver que a actriz Michelle Rodriguez não morreu. Estava mesmo à espera que acontecesse, o director fez uma boa escolha em mantê-la até ao fim. 

     Considero este mais um filme da eterna temática que são os extraterrestres, contudo para quem gosta de sci-fi e deste tipo de tema aconselho a ver, pelo menos para que se possa ver outras perspectivas que são sempre interessantes e para se perceber até que modo este filme poderá ter-se diferenciado de outros  semelhantes. 

*.* E.P.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Opinião: "Tróia"

Título: Troy (Tróia)
Lançamento: 2004 (USA)
Actores: Brad Pitt, Eric Bana e Orlando Bloom
Direcção: Wolfgang Petersen
Género: Drama, História, Acção
Duração: 163 min.

     Essência Pura: 9.5/10

     Sinopse: Esta adaptação do grande épico de Homero, “Ilíada”, este filme conta a história de acontecimentos ocorridos no último ano da Guerra de Tróia, que perdurou por 10 anos: Quando, no ano de 1193 a.C., Páris, o príncipe de Tróia, rapta Helena, rainha de Esparta, deixando o rei grego furioso, dá o pretexto mais forte para o início de um combate sangrento que só poderá acabar com a conquista de Tróia... ou não.

     Opinião: Simplesmente esplêndido! Antes de ver este filme, achei que seria apenas mais uma adaptação com foco no romance entre Paris, príncipe de Tróia, e Helen, rainha de Esparta. Várias eram as histórias contadas até ao momento sobre este grande amor que foi também uma forma de egoísmo demasiado grande por parte de Paris, pois este raptar a esposa do irmão do maior inimigo de Tróia levou a que se iniciasse uma das maiores e mais badaladas guerras de todos os tempos. 

     Contudo, estava enganada. O foco principal destacou-se num dos maiores guerreiros de todos os tempos e que ajudou em muito na evolução do império Grego, Achilles, (Brad Pitt). Este era o guerreiro mais destemido da época e considerado quase imortal, muitas são as lendas à volta dele e dele provem a expressão "calcanhar de Achilles" devido à sua morte. Este não obedecia a nenhum rei em particular e queria ser recordado durante muitos e muitos anos após a sua morte. 

     Praticamente toda a acção do filme decorre na praia de Tróia onde os Gregos acamparam para tentarem conquistar a cidade. As tentativas ocorrem em vão pois parece ser uma cidade impenetrável. Contudo, devido a vários motivos Achilles não tem participado nessas tentativas e muito dano parece causar na moral dos soldados este não participar. No entanto, tudo muda de figura quando iludido o príncipe Hector, herdeiro de Tróia (Eric Bana) pensa ter morto em combate Achilles. O erro causa a morte do primo de Achilles, um familiar muito importante. A partir desse momento tudo muda e Tróia fica fragilizada. 

      Pontos Baixos: A morte de Achilles parece um pouco provocada e irreal. Em tanto sítio que Paris podia ter acertado, e ele não era no meu ver muito bom arqueiro, tinha de acertar logo com a primeira flecha no calcanhar. Muito estranho! Sei que o Achilles tinha de morrer mas podiam ter feito algo mais real, ele bem que merecia.

     Pontos Altos: Existem vários, começo por numerar que adorei conhecer mais sobre a história de Achilles, achei que foi muito bem concebido pela parte do produtor ter mostrado as várias facetas deste grande guerreiro. Depois tenho de destacar as excelentes actuações de Brad Pitt e Eric Bana, ambos empenharam-se muito bem nas suas personagens. A música e as imagens também ficaram excelentes e bem encaixadas nas cenas... Ah! Sem esquecer, uma das cenas mais espectaculares foi sem dúvida a luta entre Acchiles e Hector. Bravo!

      Recomendo totalmente! Não é um filme para momentos de relaxamento, pois uma grande história não pode ser rebaixada e ignorada. 

*.* E.P.

Opinião: "Ella Encantada"

Título: Ella Enchanted (Ella Encantada)
Lançamento: 2004 (USA)
Actores: Anne Hathaway, Hugh Dancy e Cary Elwes
Direcção: Tommy O'Haver
Género: Comédia, Fantástico
Duração: 96 min.

     Essência Pura: 6.5/10

    Sinopse: Ella (Anne Hathaway) foi dotada de poderes mágicos pela sua fada-madrinha. O seu principal dom é o da obediência. Ao tentar encontrar a sua fada-madrinha para que ela lhe retire o dom, Ella encontra e apaixona-se por um príncipe.

    Opinião: É um bom filme para descontrair. Neste filme não podemos procurar perfeição porque não a vamos encontrar, nem podemos comprar os seres sobrenaturais desta história com os quais estamos habituados a ver noutros mundos de fantasia, pois o objectivo deste filme encontra-se em distribuir umas boas gargalhadas e várias peripécias que em nada têm em comum com nada.

     É a suposta falta de lógica e realidade que dão piada a este filme. Desde quando é que existiam na época medieval centro comercias? E ainda por cima com escadas rolantes? Elevadores? Botox!? Durante todo o filme encontramo-nos com situações nada credíveis, mas são essas situações que são aproveitadas para gozar, no bom sentido, com muitas outras histórias já existentes.

     A história da Cinderela é sem dúvida uma das que tem mais destaque em todo o filme. Ella, que perde a mãe cedo e acaba por se ver numa grande confusão devido à sua madrasta e as duas meias-irmãs. Depois há o charmoso príncipe encantado e a história de algo acontecer à meia-noite. 

     Não existiram momentos fenomenais nem clássicos que iriam ficar na memória para sempre como os clássicos, nem existiram personagens que moldaram a nossa vida e muito menos actuações merecedoras de óscares, mas como já tinha referido esse não era o principal objectivo. Senti-me sempre, como se este filme tivesse sido feito durante uma brincadeira de amigos que queriam apenas descontrair um pouco e rirem-se à custa de coisas tão pouco prováveis de acontecerem. 

     Pontos Baixos: O exagero de incredibilidade em certas cenas, apesar de ser um filme de fantasia, o abuso da mesma por vezes seria desnecessário. Gostaria também que o "mauzão" da história fosse um pouco mais consistente e credível. 

     Pontos Altos: A não tentativa de fazerem um filme perfeito. Por vezes acho que o maior erro das comédias é tentarem ser perfeitas acabando por perder toda a piada, já em Ella Enchanted as cenas cómicas aparecem com a fluidez necessária e sem tentarem mostrar perfeccionismo. Assim dá prazer rir, quando podemos ver uma cena em que não reparamos que todos os pormenores foram ensaiados para fazer o espectador rir. 

     É um filme que dá para passar um bom momento, seja sozinho ou acompanhado. Aconselho.

*.* E.P.

Opinião: "A Casa dos Sonhos"

Título: Dream House (A Casa dos Sonhos)
Lançamento: 2011 (USA)
Actores: Daniel Craig, Naomi Watts, Rachel Weisz
Direcção: Jim Sheridan
Género: Drama/Mistério/Triller
Duração: 92 min.

     Essência Pura: 3/10


     Sinopse: Will Atenton, um publicitário de sucesso, demite-se do seu trabalho em Manhattan para se mudar com a sua mulher e as suas duas filhas para uma cidade em New England. Mas, enquanto se preparam para uma nova vida, descobrem que a sua casa perfeita foi palco do assassinato de uma mãe e dos seus dois filhos, e que a cidade inteira acredita que os crimes foram cometidos pelo marido, o único sobrevivente. Quando Will começa a investigar, as suas únicas pistas vêm de Ann Paterson (Watts), uma vizinha que era próxima da família que morreu. Juntos, Will e Ann, terão de descobrir quem assassinou a família da casa dos sonhos de Will.

     Opinião: Foi um filme que não me encheu de todo as medidas. Demasiado previsível ao meu ver e não encontrei nenhuma personagem ou actuação que achasse merecedora de destaque. São 92 minutos à espera de algo que sei quase desde inicio. Sem contar, que este filme em muitas partes parece ter ido buscar cenas ou ideias a outro filme, The Others. 


     Toda a primeira parte do filme é completamente desinteressante. As personagens são rotineiras, as falas normalíssimas e não passa daí. O produtor tenta nesse tempo apresentar pequenos detalhes que seriam e foram de certa forma importantes para a segunda metade, introduzindo pequenas informações. Contudo, essa tentativa teve um mau resultado pois, pelo menos a mim, só me levou a saber a resposta do filme desde o inicio. Também sou sincera, não havia muito por onde escolher, a faceta do mistério foi totalmente deitada a baixo. O objectivo do filme seria mesmo descobrirmos e desvendarmos o mistério de um assassinato e os motivos do mesmo, bem as escolhas eram tão poucas e a informação tão óbvia que a resposta foi dada no momento errado e muito antecipadamente.


     Já na segunda parte do filme, a que levaria o espectador a saltar da cadeira e a ansiar cada vez mais por descobrir a verdade e por ver as cenas de acção, ficou-se só mesmo pelo desejo. As cenas de acção foram pouco concisas, a ansiedade já não existia pois já se fazia ideia do que tinha acontecido e o filme ter adaptado a ideia de outro, que pelo menos eu já conhecia, não ajudou muito. Enfim, foi um filme que ficou por muitos "quereres".


     Pontos Baixos: A previsibilidade da história, é sem dúvida para mim o ponto mais baixo. Qual é a piada de estar a ver um mistério se a meio ou mesmo antes do meio do filme já sei a resposta? A própria personagem principal, Will Atenton (Daniel Craig) parecia ter falta de algo.  Faltava-lhe mais vigor, mais expressão, mais vida. 


   Pontos Altos: Bem, apesar de este filme ter sido uma total desilusão por mim ainda consigo destacar as duas meninas que tiveram posso afirmar bastante trabalho. Não terão sido papeis fáceis para duas crianças que nem devem ter tido noção plena da história que estavam a apresentar e ainda bem, não queiramos traumatizar crianças. Achei a inocência das mesmas bastante credível no meio de toda a acção em desgraça.


     Não é um filme que possa aconselhar, concordo também que nem todas as opiniões serão iguais às minhas e alguns até acharam este filme, um bom filme. Contudo, eu não irei ter este filme em consideração quando quiser ver algum para passar um bom momento.


*.* E.P.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Song of Ice and Fire/ Game of Thrones/ As Crónicas de Gelo e Fogo


     Considero que poucas são as sagas que conseguem ter tantos fãs como esta! George R.R. Martin é o autor desta magnífica saga e é "somente" considerado o novo Tolkien e também    é para muitos o novo Rei da fantasia. Martin leva-nos para uma época medieval em que nada nem ninguém se encontra seguro. Personagens principais, que é isso? Martin não tem piedade, simplesmente mata quem tem de matar e segue em frente deixando os fãs com uma expectativa fora do normal pois é raro o caso em que um autor arrisque tanto.

     A Song of Ice and Fire, iniciou a sua aventura no ano de 1996 com o lançamento do primeiro livro da mesma, A Game of Thrones. Até ao ano de 2011, encontram-se 5 livros publicados, enquanto que em Portugal, a editora Saída de Emergência optou pela divisão do mesmo estando 9 publicados: 

A Game of Thrones : A Guerra dos Tronos/ A Muralha de Gelo
A Clash of Kings : A Fúria dos Reis/ O Despertar da Magia
A Storm of Swords : A Tormenta das Espadas/ A Glória dos Traidores
A Feast of Crows : O Festim dos Corvos/ O Mar de Ferro
A Dance With Dragons : A Dança dos Dragões

     Contudo, nem tudo foi maravilhoso ao longos destes vários anos. Inicialmente, o autor publicou os seus 3 primeiros livros quase de seguida dando o tempo suficiente aos fãs para sentirem saudades das suas personagens queridas e de Westeros, mas foi sol de pouca dura pois entre o seu 3º e 4º livro passara-me 5 anos e entre o 4º e o 5º livro outros 6 anos de espera. Muitos fãs ficaram descontentes com as longas esperas crucificando o autor e mesmo dizendo que iriam largar a leitura e o acompanhamento da saga, outros foram resistentes e aguardaram ansiosamente seguindo todos os rumores e novidades sobre as novas publicações. A verdade é que mesmo com todo este sofrimento causado pela demorada espera, os fãs continuam, o sucesso é estrondoso e a saga tem tudo para continuar o seu longo caminho cheia de sucesso.

     Acredito que vários são os pontos fortes desta saga fazendo a espera compensar quase cada segundo de ansiedade. Esta imensa história trás-nos não só uma grande variedade de personagens, como de personalidades, desejos, locais, mitos, histórias e vários enredos que se entrelaçam onde menos podemos esperar. Cada capítulo trás uma surpresa, uma aventura, um mistério. A fantasia aparece calmamente sem o desespero de ser o centro das atenções. Todos estes aspectos é que fazem esta saga ser tão única. Dá para sorrir, odiar, amar e chorar. As emoções variam e tornam-se na atracção especial desta fantástica história. 


     Neste mesmo ano, 2011, a saga teve um novo recomeço mas em série televisiva. A produtora HBO pegou nesta saga de sucesso e levou-a a outro extremo, trazendo novos fãs e dando um destaque muito merecido a esta história. George Martin fez questão de estar sempre presente e de ajudar na produção da série televisiva. O resultado foi bastante positivo pois em tão poucos episódios conseguiram manter o máximo possível do 1º livro. A série acabou por adoptar o nome do mesmo, Game of Thrones.



     Aconselho tanto a leitura dos livros que é só completamente de nos tirar a respiração, assim como, a visualização da série que acho ter sido muito bem concebida. Para mais informações sobre o livro podem sempre recorrer aos seguintes sites:


*.* E.P.



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Opinião: "Filadélfia"


Título: Philadelphia (Filadélfia)
Lançamento: 1993 (USA)
Actores: Tom Hanks, Denzel Washington, Roberta Maxwell e Antonio Banderas
Direcção: Jonathan Demme
Género: Drama
Duração: 125 min.

     Essência Pura: 9.5/10

     Sinopse: Andrew Beckett é um advogado promissor de uma grande firma, que é demitido quando descobrem que ele tem AIDS. Ele procura Joe Miller, um advogado negro, para processar a empresa.

  Opinião: Admito que sou uma mulher que luta pelos direitos das pessoas, independentemente da cor, dos gostos sexuais, das crenças entre outros casos. E ter visto este filme só me fez aumentar a raiva pela pessoas que não têm noção das coisas e apenas se preocupam com a sua própria bola de cristal. O filme em questão retrata uma das grandes descobertas, pela negativa, do fim dos anos 80/início dos anos 90, a SIDA, AIDS, HIV...

     No decorrer do filme encontramos vários preconceitos que pouquíssimo são disfarçados e ainda bem, pois só mostra como era a mentalidade das pessoas há cerca de 25 anos atrás assim como, mostra o que muitas pessoas são hoje em dia mas ou omitem ou fingem que está tudo bem. Pois os vários preconceitos retratados ainda hoje existem contudo, as pessoas tentam ser mais subtis, mas aí apenas reside a falsidade em que o nosso Mundo encontra-se. Em Philadelphia, vemos o preconceito contra as pessoas doentes. Quando uma doença nova aparece e mal sabemos realmente o que a causa e como se transmite a tendência de qualquer pessoa não é descobrir a resposta a essas perguntas mas sim apenas afastar-se o mais possível de quem a tem, no filme, a personagem principal, Andrew (Tom Hanks), um portador de Sida vê-se nessa situação a todo o instante. 

     Para além de portador de Sida é também homossexual o que apenas provoca ainda mais preconceito para com o mesmo por parte dos outros. Ninguém tem nada a ver com a sua opção ou gosto sexual mas esse gosto serve como desculpa em todo o filme para os seus actos, não que Andrew se desculpe por ser homossexual, mas os outros, o patrão, os media, a população em geral crucifica-o por sê-lo. 

     Após ser despedido por uma coisa totalmente inventada, Andrew decidi lutar contra isso e acusa os seus patrões de o terem despedido por ter Sida o que vai contra a lei. Todo o filme acaba por rodar no tribunal em que Andrew com a ajuda do advogado Miller, um homem que era totalmente preconceituoso a nível da homossexualidade e tinha receio da Sida, luta por provar a injustiça que lhe foi feita e também na evolução da doença da Sida, mostrando todo o tratamento doloroso para atenuar a dor mas que por mais que tentassem levaria sempre ao mesmo caminho, a morte.

     Pontos Baixos: Só poderei destacar um ponto. Estudei ciências até ao décimo segundo ano e durante 5 anos tive de debater o assunto "Sida", devido a isso sinto-me quase uma expert no assunto. Uma das coisas que se comprovaram ao longo dos anos é que não é a população homossexual que transmite ou contraí mais Sida mas sim os heterossexuais o que ninguém parece saber ou querer perceber. No filme, apesar de saber que é de 1993 e que todos apontavam a Sida como a doença dos homossexuais, acho que deveria ter sido referido nem que por alto que os heterossexuais também ficavam muitas vezes infectados pelo vírus do HIV, não apenas por erros hospitalares nas transfusões de sangue mas sim por irresponsabilidade dos mesmos. Quem não tiver tão bem informado como eu, ao ver o filme apenas irá ficar com a ideia de que a Sida é mesmo uma doença de homossexuais. Dispenso essa ideia!

     Pontos Altos: O argumento do filme é tremendamente espectacular, posso dizer que não existiram "papas na língua", sem contar que na altura de 1993 uma tema destes ser o destaque principal de um filme requer muita coragem e muita força de vontade de querer mudar as mentalidades. Realmente fascinante. A interpretação do Tom Hanks no papel do advogado Andrew foi divinal, apesar de não ser dos meus actores preferidos, ganhei um grande carinho pelo mesmo com este magnífico papel que ele desempenhou. Não poderei também deixar de destacar o Denzel Washington como Miller que mostrou que uma pessoa é capaz de lutar com os seus preconceitos e defender ideais que nunca antes pensaria que poderia defendê-los. Gostei também de ver o Antonio Banderas no papel de Miguel, parece um papel fácil por ser secundário e subtil, contudo, ser-se o companheiro diário de uma pessoa com tantos problemas de saúde como o Andrew é difícil e é necessário ter-se uma força de vontade espectacular. Personagens e interpretações que deixaram lembranças sem dúvida. A música do filme também se destaca bastante e encaixa na perfeição.

     É um filme que aconselho vivamente. Não devemos nunca virar as costas a problemas como estes e nem devemos viver na ignorância de certos assuntos achando que assim esses não nos atingirão pois nunca saberemos de onde casos como estes poderão surgir.

*.* E.P.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Opinião: "O Dardo de Kushiel"


Título: Kushiel's Dart (O Dardo de Kushiel - parte 1)
Autor/a: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Colecção Bang
Classificação: Literatura Fantástica/ Romance
Ano de Edição: 2010
Páginas: 400
Encadernação: Capa Mole

     Essência Pura: 7/10

     Sinopse: TERRE D'ANGE é um lugar de beleza sem igual. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa... e que a raça resultante do amor entre anjos e humanos se rege por uma simples regra: ama à tua vontade. Phèdre é uma jovem nascida com uma marca escarlate no olho esquerdo. Vendida para a servidão em criança, é comprada por Delaunay, um fidalgo com uma missão muito especial... Foi, também ele, o primeiro a reconhece-la como a eleita de Kushiel, para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. Phèdre é adestrada nas artes palacianas e de alcova, mas, acima de tudo, na habilidade de observar, recordar e analisar. Espia talentosa e cortesã irresistível, Phèdre tropeça numa trama que ameaça os próprios alicerces da sua pátria. A traição põe-na no caminho; o amor e a honra instigam-na a ir mais longe. Mas a crueldade do destino vai levá-la ao limite do desespero... e para além dele. Amiga odiosa, inimiga amorosa, assassina bem-amada; todas elas podem usar a mesma máscara reluzente neste mundo, e Phèdre apenas terá uma oportunidade de salvar tudo o que lhe é mais querido.

Uma escritora do mais alto nível. Quando acabei de ler só queria que os livros nunca acabassem -George R.R. Martin



     Opinião: Começo desde já por referir que foi uma péssima opção pela editora Saída de Emergência dividir o livro original em dois. Preferia mil vezes pagar 25€ e ler as 800 páginas de seguida do que chegar ao fim desta primeira parte e ter ainda de ir adquirir o próximo, pois se classificasse este livro como independente da parte 2 iria ter uma pior cotação, contudo acredito que a parte 2 venha a ser mais favorável. Passo a explicar o porquê desta péssima opção ao mesmo tempo que irei referir o que senti e achei deste livro...


     Todo o livro parece uma constante introdução, tanto a história de Terre D'Ange como as várias personagens. Sei perfeitamente que quando entramos num mundo de fantasia completamente diferente ao que estamos habituados, com novas mitodologias, crenças, tradições, hábitos e muitos mais é necessário uma longa introdução e até aí compreendo totalmente. No entanto, senti que muita da informação foi dada inadequadamente e muitas das vezes achei a informação excessiva. Muitas das personagens referidas no decorrer do livro nem se quer aparecem e torna-se bastante complicado decorar todos os nomes assim como memorizar a sua função na história mesmo esses não aparecendo. 

     Depois, a Phédre, a protagonista de toda a história e narradora deixa muito a desejar. Estou bastante esperançosa, para o bem desta saga, que ela evolua bastante nos próximos livros pois se não evoluir será uma desilusão total após ter ouvido tão boas referências à história. Não percebo, não consigo mesmo perceber aquela obsessão de entrar na vida da prostituição, sei que não é dito tão directamente no livro mas todos os leitores do mesmo sabem que as famosas casas da noite não passam disso apesar de cada uma ter as suas especialidades. Sei que a Phédre foi abençoada ou amaldiçoada, dependendo do ponto de vista, por Kushiel, contudo como já vi em várias opiniões sobre este livro tenho de voltar a frisar   , ela não terá amor-próprio?, será que ela sabe o que é a força de vontade?, é que em todo o livro ela parece não querer lutar contra a sua "bênção" apesar de muitas vezes refilar da mesma, como mimada que ela é. Sem contar com isso, Phédre é uma personagem muito egoísta, é bem destacado em todo o livro, assim como, parece não saber fazer mais nada que dizer quão belas são as personagens que vão aparecendo. Será que a autora tem alguma obsessão por pessoas bonitas? Por mais belos que possam ser os D'Angelines, suponho que mesmo neles haverá alguns que sejam considerados mais belos do que outros. Enfim...

     Agora vou ser bastante sincera, a autora que parece gostar de destacar o tema sexo, não parece depois tão volátil na descrição das cenas. Todos os encontros de Phédre tornam-se, em certo ponto, muito semelhantes na minha opinião. Se não quer descrever repetidamente cenas sexuais com masoquismo podia apenas saltar certos detalhes. 

     Contudo, quando o livro se aproxima no final, o meu interesse na história aumenta. Diminui, no meu ponto de vista, o número de personagens mesmo que seja temporariamente. A Phédre parece, a ver vamos se será assim no próximo volume, evoluir de certo modo. Sinto que cresce um pouco com os acontecimentos finais. Gostei bastante também do destaque dado ao seu "guardião", Joscelin. 

     Pontos Baixos: Já referi quase todos portanto irei só numerá-los; a intensa introdução, a falta de personalidade e carácter da personagem principal e o número infindável de personagens. Poderei dizer que são estes os pontos que fazem a nota ser a que dei.

     Pontos Altos: Algumas personagens como o caso do Joscelin e da Melisande. A evolução da história no final do livro que deu uma volta completa e que me deixou com muito mais interesse e esperança para a parte 2 do livro. A existência de entidades divinas que veneram e apoiam certas actividades que acho que seriam impensáveis de existir no mundo real. 

     Acabo este livro com um gosto agri-doce que espero vir a tornar-se bem melhor quando ler a segunda parte, pois não penso neste livro como um só. Neste momento, não posso aconselhar ainda esta saga, espero puder fazê-lo após ler O Livro no seu todo.

*.* E.P.