terça-feira, 25 de outubro de 2011

Opinião: "Uma Questão de Fé"

Título: Keeping Faith (Uma Questão de Fé)
Autor/a: Jodi Picoult
Editora: Civilização Editora
Colecção: -/-
Classificação: Drama/Romance
Ano de Edição: 2008
Páginas: 456 
Encadernação: Capa Mole

     (Todo o comentário contem o mínimo de spoilers possíveis e evitei referir directamente o nome das personagens ,assim como, não referi acontecimentos detalhadamente)

     Essência Pura: 6/10
  
Acredita em milagres?

Em que está disposto a acreditar?


    Sinopse: Pela segunda vez no seu casamento, Mariah White apanha o marido com outra mulher, e Faith, a filha de ambos, assiste a cada doloroso momento. Após o inevitável divórcio, Mariah luta contra a depressão e Faith começa a conversar com um amigo imaginário. A princípio, Mariah desvaloriza o comportamento da filha, atribuindo-o à imaginação infantil. Mas quando Faith começa a recitar passagens da Bíblia, a apresentar estigmas e a fazer milagres, Mariah interroga-se se sua filha não estará a falar com Deus. Quase sem se aperceberem, mãe e filha vêem-se no centro de polêmicas, perseguidas por crentes e não-crentes e apanhadas num circo mediático que ameaça a pouca estabilidade que lhes resta.

Levanta questões pertinentes sobre religião sem se tornar sentimentalista - Entertainmente Weekly

     Opinião: Não é qualquer livro ou autor que nos consegue colocar a questionar certos pontos de vista. Fazer-nos pensar no que é ou não real. Fazer-nos questionar as nossas ideologias e crenças, mas esta autora consegue transmitir bem uma questão que envolve mundialmente todos os Homens e que nunca teve realmenente resposta e que dificilmente algum dia virá a ter.

   Quando olhei pela primeira vez para a capa achei que me iria arrepender, gosto pessoalmente de me aventurar em livros e filmes que nos fazem questão muita coisa, mas não gosto de me envolver muito no tema Deus. Não por ser contra em demasia ou a favor em entusiasmo desesperado mas sim por não ter tudo bem difinido ainda, não consigo ser como certas personagens ao longo do livro, em que algumas defendem totalmente a existência do mesmo e outras repudiam-na. No entanto, todo o livro supreendeu-me pela positiva. Pensando eu que iria ler um livro que iria focar muitissimo a existência ou não de Deus, acabei por encontrar um livro que mostra o amor maternal, a luta pela verdade, o bom senso acima da crença excessiva, a traição num plano real e claro a religião em várias vertentes.

     Não posso referir a pouca previsibilidade como um ponto a favor, pois desde o ínicio toda a história se tornou previsivel o que me iria logo fazer recurar na leitura do livro em questão, contudo as personagens e a história das mesmas conseguiu prender-me e querer ver e descobrir mais sobre elas. Confesso que fascinei-me desde ínicio com o jornalista/apresentador/ateu Ian Fletcher, e toda a sua evolução na história. Esta personagem que sempre fora um ateu ávido e lutou sempre por fazer desacreditar todos os supostos milagres e crenças vê-se ao logo de toda a acção a duvidar do que sempre acreditou, que Deus não existe. Uma personagem que parecia vir para desmoronar a lutadora Mariah White, contudo se não fosse a intervenção do mesmo a história talvez não tivesse acabado como acaba. 

     Já a Mariah White, a mãe da suposta vidente religiosa e que vê Deus, Faith White, mostra-nos o que é ser realmente mãe. As constantes dúvidas que se tem, o achar que nunca estamos a altura que é o desafio de cuidar de um filho, os medos, a constante pressão de ter de ser uma mãe perfeita e para além disso de todas essas dúvidas mostrar que é possível tomar as decisões certas quando todos dizem que estamos a tomar a decisão errada. 

     O facto principal que é a questão religiosa em redor da pequena Faith é talvez o que menos me fascina, faz realmente questionar muitas coisas. Se acreditamos realmente em milagres, se temos fé ou se não passa tudo de uma rotina já imposta pela sociedade nas nossas vidas. No entanto, vejo essa parte da história como ficção pois a autora inventou as personagens assim como deu um parecer seu à história, logo, para mim toda essa parte por mais bem retratada que tenha sido é ficção e meramente isso. Mas indico que não é por ser ficção que tirou o glamour à história, é com este tipo de ficção que muitas das vezes se dá origem a acontecimentos bem reais.

     Pontos Baixos: Não consigo focar um ponto exacto que possa indicar como um erro ou uma atracção menos positiva na história. No entanto, posso dizer que certas partes da história não me cativaram assim tanto, algumas personagens que apareceram ao longo da mesma e pareciam vir criar mais polêmica ou mais entusiasmo à mesma apenas desapareceram e a ideia do que poderiam vir a fazer ficou só mesmo pela ideia, deu a entender que não passaram mais do que "palha" para encher páginas. Também achei estranho haver tanto foco em na questão da Faith ver Deus como uma Ela e no entanto no final da história não haver nada que tocasse nesse assunto. 

     Pontos Altos: A naturalidade das personagens mais em foco, tornando-as quase pessoas que podemos encontrar ao fim da rua. As grandes questões apresentadas, como a fé, a traição, as dúvidas, o papel maternal, as doenças e até mesmo como se lidar numa situação de divórcio e a que tudo ele implica. Gostei pessoalmente como já referi das personagens, Ian Fletcher e Mariah White, tanto pela evolução de ambos ao longo da história, assim como, da forma que conseguiram ultrapassar todos os problemas e questões em que se foram vendo colocados. Claro que não posso deixar de passar a pequena Faith e a avó da mesma, a Millie.

    Se é um livro que aconselho? Dependerá muito do vosso gosto literário. Digo já que não é um livro para qualquer pessoa pois acredito que muitos mal o começassem o largassem, pelo facto das temáticas em si. Mas quem gosta de temas que nos fazem questionar no que realmente acreditamos e de dramas familiares este livro é de certeza uma boa escolha.

    Foi uma boa estreia com esta autora, já que nunca tinha lido nenhum livro dela antes, mas mesmo assim acho que iria conseguir um pouco mais com os seus outros livros.

*.* E.P. 

2 comentários:

  1. Olá Sara!

    Consegui finalmente ler a tua opinião e confesso que me tiraste algum receio... Tinha falado com uma amiga minha e ela havia-me dito que não tinha gostado muito devido à componente religiosa e que tinha sido o pior livro que já tinha lido da autora, por isso fico um pouco mais descansada por saber que a autora continua a fascinar-nos com as suas personagens e com o seu dom de nos questionar relativamente ao que fazer em tal situação...

    Novamente afirmo que se quiseres ler outro livro dela, não me importo de to emprestar.

    Beijinhos e boas leituras. :)

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  2. Olá Rita!

    Desculpa a resposta tão tardia, mas andei sem net.
    Realmente gostei da forma como a autora criou as personagens, já não posso dizer o mesmo do tema principal, mas adorei os temas secundários portanto dá vontade de conhecer outros livros da mesma.

    Obrigado... Talvez aceite mas tenho tanta coisa para ler agora que irá demorar um pouco.

    Beijos e boas leituras também para ti!

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